quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sobre maturidade emocional (ou como aprender a big picturizar as coisas).

Segunda parte do título e publicação inspirada nesse vídeo aqui.

Bom, não sou exemplo de maturidade emocional. Definitivamente. E isso pode ser facilmente comprovado pelas minhas publicações anteriores.
Mas, por motivos que nunca conseguirei explicar, em algum instante meu lado racional domina e me faz enxergar a luz no fim do túnel com relação ao que devo fazer da minha vida ou que atitudes tomar em situações rotineiras e etc. O que não quer necessariamente dizer que eu coloque essas decisões acertadas mostradas pelo lado pensante do meu cérebro em prática (sim, pois assim como quase todo ser humano, tenho um lado não pensante do cérebro. Ele só age, e geralmente age errado).

E daí que quando tenho esses momentos de lucidez, enxergo como a vida é simples e como nos esforçamos para torná-la complicada. E fazemos isso com muito êxito, né verdade?

Sabe, boa parte do que acontece conosco é simplesmente incontrolável. E digo isto porque considerando a vivência em sociedade, muito do que você faz esperando algum resultado, depende da interpretação e reação de outra pessoa. E quando sai da nossa alçada, simplesmente não há nada que possamos fazer além de esperar o desfecho.

E é nesse momento que geralmente merdas acontecem...

A falta de maturidade emocional somada a "umbiguização" das coisas nos faz criar expectativas surreais. Participamos de situações nas quais o outro tem todo o direito de ter QUALQUER reação, sabemos disso (nem que seja inconscientemente) mas ainda assim queremos que tudo saia conforme ensaiamos em nossa mente doentia.
"Eu vou dizer A, Fulano responderá B e seremos felizes para sempre!", mas aí Fulano diz XYZ e achamos um absurdo, que o mundo está acabando, que Jesus vai voltar e que a tradicional família brasileira está ameaçada.
Pegamos uma coisinha de nada e transformamos na maior coisona do mundo porque criamos expectativas demais em cima de algo. E daí achamos que sem aquele algo, tudo estará perdido.
Sem contar a umbiguização citada lá em cima, que nos faz crer que só nossa vontade é a certa e só ela pode prevalecer.

Por isso precisamos aprender a arte da big picturização.
E, vejam, big picturizar não quer dizer se forçar a pensar: "Tudo bem que esse problema está acontecendo na minha vida, mas ele não é nada porque tem criança passando fome na África...". Isso não é uma competição pra ver quem tem o maior problema. 
Claro que pensar assim é válido e ameniza as coisas de certa maneira, mas só isso não nos ajuda a desenvolver maturidade emocional. E, ao meu ver, desenvolvê-la é a solução. Paliativos não adiantam.
A importância de big picturizar problemas do dia a dia é desenvolver a auto crítica e pensar racionalmente se aquela tempestade no copo d'água que fizemos não poderia ter sido só um chuvisco. Ou nem isso.

E alcançar esse nível jedi de maturidade requer muito esforço. Treinamento diário mesmo. Forçar-se a mudar, a pensar mais racionalmente na situações, respeitar a individualidade e escolha do outro e ter sempre um plano B, C, D e quantos mais forem necessários para alcançar seus objetivos. E internalizar que nem sempre as coisas saem como queremos e que apenas temos que lidar com isso. Seguir em frente e mudar o foco.
E se a imaturidade for muito forte e difícil de controlar, ajuda profissional é realmente uma boa escolha.

Comecei a reconhecer e assumir minha falta de habilidade para lidar com coisas bestinhas do dia a dia quando comecei a terapia. Ainda mais depois de levar um tapa na cara da minha psicóloga quando, na quarta sessão, ela disse: Bem, vamos lá: Você é mimada. Mimada, controladora e com forte tendência a se fazer de mártir.

VRÁÁÁ!! Direto na jugular!

E foi ótimo! Esse soco na boca do estômago me fez querer parar de ser assim. Me fez perceber que isso só me prejudicava, que eu só estava trazendo cada vez mais sofrimento e insegurança pra minha vida e que isso só afastava os outros de mim. Sabe, nem sempre o problema são as outras pessoas. 
Muitas vezes o problema é você.

6 comentários:

Felipe Fagundes disse...

Oi,

Encontrei esse post quando fui pesquisar sobre big picturização, estava também escrevendo um texto inspirado no mesmo vídeo.

Concordo muito com a sua percepção de que nossa vida depende de vários fatores que fogem do nosso controle. E é mesmo difícil lidar com isso. Eu me forço a ficar mais calmo quando vejo que não posso fazer mais nada para resolver uma situação. Quando posso, faço. Quando não posso, tento esquecer, me focar em outra coisa etc.

Muito bom o seu texto :)

Nathália E. disse...

Tem uma frase muito boa que diz: "não deixe sua felicidade ser controlada por aquilo que você não pode controlar."

E é isso. Se não posso controlar, pra que me preocupar?

😙

Salve Jorge disse...

O problema é sempre você
O problema
É o lema
Teorema
É

Dá pé
Mercê
Capaz que dê
Sempre...

Rafael Belo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rafael Belo disse...

QUe bom que voltou com sua argúcia E Nathália! Ia comentar no outro mas... Enfim nós e nossa síndrome de narciso cheios de maiúsculas e de tiarar nossa culpa emendando desculpas e coisa e tal.

Caroline Redlich disse...

To tentando descobrir o vídeo porque quando clico da: Not Found Error 404

ARRRRRGH

Eu não sei lidar com isso :(

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